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No passado dia 18 de Julho, foi lançado RAMBO, álbum de estreia de Garrett Sparrow, dos Biking With Francis. Um testamento à vitalidade do R&B/indie/bedroom pop, este álbum de 11 temas revela um trabalho de ano e meio por parte do artista, trazendo-nos um som que se destaca, já, notavelmente, do panorama musical do mesmo género, tornando-se uma voz refrescante, poderosa, criativa e com muito a explorar.

E, curiosamente, uma que podemos ver frequentemente associada a Tyler, The Creator – parece começar a haver uma tendência crescente por parte dos fãs de Okonma a etiquetar tudo o que se inspire ou se assemelhe às características do artista como uma “cópia” do seu estilo musical, principalmente em plataformas como o Reddit, por exemplo – mas, ao contrário do que eu esperava, não foi de todo a impressão com que eu fiquei da música de Sparrow.

Quer dizer, há que realçar que desde sempre que existiram as “marcas do compositor”, essa expressão tão importante para aqueles testes auditivos dilacerantes e exasperantes de História da Cultura e das Artes – antes de o Tyler ser conhecido pelas polifonias vocais, ou, por outras palavras, pela sobreposição de vozes, em particular nos refrões, já o Debussy era conhecido pelos acordes paralelos, o Bach pelos contrapontos polifónicos sem a mais pequena falha apontável, e o Mahler pelos portamentos nas cordas friccionadas. Isto não significa que o César Franck tenha deixado de fazer fugas (a sete vozes, ainda por cima… quem me dera ter os mesmos neurónios musicais que ele na cabeça), ou que o nosso Luís de Freitas Branco – que, pausa para facto curioso, transformou o Johann Sebastian Bach no João Sebastião Ribeiro – tenha deixado de usar os paralelismos impressionistas como bem lhe apeteceu. E assim é que está bem, porque que piada é que teria se, a partir do momento que alguém usasse alguma coisa, mais ninguém o pudesse fazer? Chegava-se a um dia em que, dito de maneira pouco eloquente, porém talvez a mais direta, não havia mais música para usar, e só nos resignávamos a ouvir sempre a mesma coisa.

Dito isto, tenho que afirmar que, para o meu próprio espanto, este artista não me relembrou tanto a obra de Tyler, mas sim a de outro cantor que eu ainda gosto mais, e que já há uns aninhos que tem um lugar especial no meu coração – Frank Ocean.

Garrett Sparrow. © Melodic Magazine

Aliás, este álbum até pode ficar de recomendação para os pobres fãs (eu incluída) do Frank que ainda estão pacientemente à espera que ele se lembre de lançar um álbum novo numa terça-feira qualquer – é uma viagem lindíssima por matizes sonoras conjugadas numa tapeçaria intrincada e cósmica, mas destaca-se, também, aquilo que eu acho que é a sensação central da obra de Frank Ocean, e que, ainda mais maravilhosamente para mim, é uma sensação que a própria música me traz: a ode à Vida, o amor à música e ao ser, a vontade de viver, de sentir e de fazer tudo o que há para fazer ao máximo. O álbum de Sparrow começa logo com esse registo, com uma das minhas faixas preferidas em todo o trabalho – DEW – traz-nos um ambiente cândido e intrinsecamente belo, que reminisce Crack Rock, por exemplo, do álbum de estúdio de Ocean “channel ORANGE”, mas com um caráter que faz lembrar “Good Guy”, do Blonde – DEW é uma música, também, com pouco mais de um minuto, mas incomensuravelmente tocante pela sua simplicidade e construção minimalista (já para não falar da produção perfeita e uso de eletroacústica para uma “obra de arte total”, ou gesamtkunstwerk, como o Wagner diria, muito bem pensada) para agudizar a sua expressividade, sempre com o amor à vida transparecente em toda a obra do artista, desde a devotamente jovial “Pink + White” até a músicas mais profundas como “Self Control” (que continua a ser uma das minhas preferidas de entre todas as gemas do Blonde).

Porém, talvez o que justifique esta suposta parecença ao Tyler seja, efetivamente, um aspeto que realmente engrandece e enriquece a música de Sparrow – o uso das polifonias vocais, algo que, realmente, é um dos aspetos mais palpáveis no estilo composicional de Okonma (não é preciso ir mais longe do que ao belo Tiny Desk Concert do artista, em que foi acompanhado por um pequeno ensemble de magníficas cantoras para poder produzir este tipo de efeito).

Esta ferramenta nas mãos de Garrett é utilizada de maneira muito inteligente, aproveitando-a para conferir à música um caráter muito mais aberto, colorido, vivo, feérico: tendo em conta que a música deste artista não assenta propriamente no mesmo tipo de vocais de um Jeff Buckley, por exemplo, é, efetivamente, a sobreposição que cria conteúdo e criatividade na sua música. E usar as polifonias vocais ao estilo de Tyler é algo que acrescenta sempre à música em termos de sobreposição em primeiro lugar a nível harmónico, e depois também em relação à própria dimensão tímbrica da obra, que será fulcral para cativar o ouvinte e mantê-la relevante em toda a sua duração.

É, também, importante, refletir no impacto que a voz tem no caráter de qualquer música – quero eu dizer, talvez a voz humana seja um dos instrumentos mais orgânicos que temos, e, como é óbvio, o modelo para todos os instrumentos melódicos que surgiram ao longo da História. Mas a própria afinação da voz pode contribuir para tornar a sonoridade da música mais brilhante, como é o caso em RAMBO, ou pelo contrário, o que porventura seria um caso menos usual. Aliás, isto faz-me lembrar um dia em que estava a ouvir “Don’t Tap The Glass”, e numa das partes polifónicas me perguntam se ele não está um pouco desafinado – a verdade é que nunca me tinha debruçado demasiado profundamente nisso, mas efetivamente a própria afinação tinha sido trabalhada para tornar a música mais brilhante e alegre, o que só atesta a qualidade, perícia e conhecimento empregues na sua produção.

“EGO” de Garrett Sparrow. © Garrett Sparrow – YouTube.

Outra qualidade curiosa na música de Sparrow é o uso que ele faz das linhas de guitarra que emprega em alguns dos seus temas – em “PONYBOY”, por exemplo, a linha mais solística da guitarra relembra imenso, mais uma vez, a “Self Control”, do Frank Ocean. Mas pelo contraste que cria com o conforto tão cheio da polifonia, torna-se muito mais expressiva e nostálgica, tanto pelos seus “arredores musicais” mais minimalistas, como pela singularidade e função que ela cumpre no contexto musical do artista – quero eu dizer, estamos a falar de algo mais para o neo-soul, para o indie pop. Não estamos propriamente a falar do guitarra-bateria-baixo de uns Nirvana, Motörhead, Cream, Jimi Hendrix Experience, ou até mesmo uns Green Day. Isto, a meu ver, implica uma desconstrução de papéis, tira o foco da parte da performance, o que leva a uma produção mais criativa e diversificada a nível de sonoridade – o foco já não está num grande solo de três minutos ao nível de um Jimmy Page, mas sim numa variedade tímbrica ao nível de um tema de “Flower Boy”, ou de “IGOR”. Algo que suscite um “que grande produção”, em vez de um “que grande solo”.

Ora, no caso específico da guitarra quando usada por Sparrow, esta é usada de forma bastante interessante porque revela, por parte do artista, uma sensibilidade e proficiência na produção das suas “paisagens musicais” inegável – em contraste com o caráter liberto, multicromático e vivaz das polifonias vocais, as linhas tão cantabile da guitarra tornam-se muito mais expressivas e nostálgicas, o que é um excelente aproveitamento das características da guitarra elétrica para extrair o potencial melódico almejado na sua invenção. Usar a guitarra desta maneira demonstra um sentido de “orquestração”, quase, muito desenvolvido, e torna-a igualmente singular e importante num estilo que já não depende tão necessariamente dela.

As linhas harmónicas no álbum inteiro caracterizam-se, também, por ser muito nostálgicas, o que não deixa de ser interessante – é quase como se Garrett pegasse no seu “laboratório musical” e pusesse um bocadinho deste elemento e daquele instrumento, tudo para chegar a um efeito ou promover uma emoção específica – neste caso, esta nostalgia advém, a meu ver, do uso do sétimo grau em vez do quinto e dos acordes de sétima maior, por exemplo – mas a harmonia neste álbum tem muito mais que se lhe diga.

Esta é, de facto, muito rica, ou seja, sai do normal para este tipo de música – usa muitas vezes o 2-5-1 típico do jazz, e cria progressões de acordes mais singulares, ou inesperados, para o contexto harmónico em que se insere ao utilizar modulações “sorrateiras” à boa moda de Mozart a tentar fingir que não estava a quebrar as regras da época, ao escolher graus que incorporavam nas quatríades a fundamental mais “esperada” – ora, isto cria novas dimensões e matizes impressionantes na música, o que contribui para o seu caráter enriquecido e especial.

Garrett Sparrow. © Garrett Sparrow – Audiomack.

A dimensão instrumental é, também, bastante especial, é muito estelar, se é que se pode chamar assim – os temas principais são sempre mais circunscritos a nível de linhas e texturas (normalmente protagonizados apenas por um sintetizador ou uma guitarra) – mas o preenchimento nas partes vocais, já para não falar que a referida polifonia vocal também, muitas vezes, cobre esse efeito.

Isto no sentido em que são trabalhados de maneira a não soarem deslocados do restante ambiente, mas sendo, ao mesmo tempo, mais orquestrais, adicionando caráter e particularidade à música do artista, oferecendo-lhe o seu som característico precisamente pela maneira como ele trata a dimensão instrumental da sua música. Aliás, uma impressão que eu tive durante a audição deste álbum foi recordar-me dos portugueses SAMALANDRA, que contavam com Débora King na voz e teclados – curiosamente, a voz nem sempre me parecia fazer parte do papel principal, e sim conjuntar-se com o resto da música. Não é exatamente esta “hierarquia” que me sugere a obra de Garrett Sparrow, mas definitivamente há uma interligação muito especial entre a dimensão vocal e instrumental da música, e uma importância e atenção ao detalhe que realmente dão qualidade à música a nível de textura.

Aliás, algo que eu achei interessantíssimo em particular foi que a parte instrumental tem sempre um som um bocadinho “abafado”, se é que se pode explicar assim – é um detalhe minúsculo, mas que é um dos pequenos detalhes que mais faz as minhas delícias na música. Para ser sincera, tenho uma playlist no Spotify só com as raridades que consigo encontrar com esse efeito específico (é como ir a uma feira de antiguidades todas as semanas à procura de uma coisa que lá aparece uma vez por trimestre, se estivermos num ano de sorte) – este álbum fez-me ir à procura dessa velha playlist e encontrar músicas incríveis com esta sonoridade como a referida Good Guy do Frank Ocean, You’re so Great dos Blur, a cover de Mama, You’ve Been on My Mind do Jeff Buckley (dos studio outtakes do Grace, já agora, caso alguém quiser ouvir… essa música foi um sério caso de obsessão para mim há uns tempos atrás), I’ll Try Anything Once (“You Only Live Once” demo) – Heart In A Cage B-Side dos The Strokes – eu sei que o nome é comprido, mas na altura que eu descobri esta música, achei que era uma das canções mais bonitas que eu alguma vez já tinha encontrado (novamente, um severo caso de obsessão musical…) -, entre outras. Pontos extra se forem baladas calmas e serenamente melancólicas, como Beach Baby do Bon Iver ou A Different Age do Current Joys… daquelas músicas que realmente nos fazem parar, olhar para o teto e pensar sobre a vida durante uns minutos. Este caráter singular é ainda adornado pelos pequenos detalhes eletroacústicos que estão imbuídos na música de Sparrow, que realmente lhe dão o seu caráter cósmico e rico.

Garrett Sparrow. © Garrett Sparrow – Spotify.

A exploração do ritmo é, também, digna de menção porque é curiosa a maneira como o artista vai mudando bastante de perspetiva – por exemplo, em DEW, a faixa de abertura do álbum (uma das minhas preferidas em todo o trabalho), o ritmo é muito fluido, muito pouco “definido”, se é que se pode assim dizer, muito pouco rígido – mais ad libitum, talvez seja a maneira mais correta de o descrever. O que dá importância a esta pequena característica é conferir ià música um caráter muito mais meditativo, um pouco esperançoso ou confiante no futuro, até, eu diria – mas especialmente um bom veículo de expressão de um caráter muito mais contemplativo, como o que Kanye West usou em “Moon”, do seu álbum de estúdio Donda.

No entanto, temas de RAMBO como SOFTIE, por exemplo, já têm um sentido rítmico muito mais preciso e metronómico, o que é algo com que o artista sabe jogar muito bem, porque transparece bem que o objetivo do tratamento diferente do ritmo é criar ambientes diferentes. I THINK I’M IN LOVE, por exemplo, é um bom paradigma de um meio-termo nesta situação, pois é preciso como SOFTIE, mas a distribuição de acentuações e uso dos contratempos é manipulada de forma a obter uma sonoridade mais espontânea, natural, e também mais singular, o que já lhe traz a candura meditativa do DEW, ainda que com mais cadência e batida.

TAKE PICTURES é um bom exemplo disto, também, mas no caso desta canção a criatividade nas acentuações dadas ao aparente compasso quaternário simples da música dá-lhe um carisma quase polirrítmico e sem dúvida intrincado, o que é essencial para manter o tema interessante ao ouvido durante toda a sua duração. Porém, há mais a realçar nesta música – para mim, este tema faz-me lembrar um pouco a See You Again, do Tyler, The Creator, em termos de estrutura e organização – mas novamente destacando-se uma disposição virtualmente irrepreensível a nível de cadência nas batidas. Basta ouvir o segmento em que é a parte da eletroacústica que marca o tempo para perceber a criatividade empregue neste aspeto – mas é palpável, também, que Garrett Sparrow funde estilos sem perder identidade com uma facilidade e instintividade notáveis. Ainda em TAKE PICTURES, ouvimos este aspeto na fusão entre o “estilo polifonia vocal” e as capacidades de rap do cantor, que são surpreendentemente boas.

Voltamos um bocadinho ao argumento anterior de que todas as ferramentas na música são de “uso comunitário” se forem usadas com originalidade e autenticidade. STICKER, que vem a seguir, faz-me lembrar imenso Tyler, The Creator. Foi um dos meus temas preferidos, também, talvez o meu preferido de RAMBO – é uma canção em que Garrett, no meu ponto de vista, realmente leva a sua capacidade expressiva ao máximo, e incorpora aquela transição a meio muito característica de Tyler (Don’t Tap That Glass/Tweakin’, do álbum do mesmo nome, ou GONE, GONE / THANK YOU do Igor – que é como quem diz, qualquer música do Tyler com uma barra a meio no título. Basicamente uma transição estilo Bohemian Rhapsody ou Paranoid Android – que é mais ou menos a Bohemian Rhapsody dos Radiohead, mas pronto, passe-se o quase-pleonasmo – só que a duas partes em vez de três).

Garrett Sparrow. © The Luna Collective – Jade Ivy

Eu diria que STICKER é mais complexa que DEW, mas as vozes, principalmente, estão escritas de maneira muito expressiva, no sentido de as elevar a um estilo mais arioso, e aproveitar o caráter que esta condução melódica oferece ao máximo – com muito potencial expressivo para temas impactantes e memoráveis. Se pensarmos bem, se calhar o registo normal para artistas deste género (indie pop, neo-soul, bedroom pop…) é o recitativo, que na ópera é usado para progredir com a ação e tem um caráter quase falado, mas os momentos de ária que têm este melodismo mais amplo e expressivo são os usados para a suprema expressão de emoção por parte dos personagens – que é exatamente o estilo das grandes baladas apaixonadas que conhecemos hoje. O exemplo que me vem imediatamente à cabeça dentro deste género são os Muse, claro, especialmente em músicas como Unintended, ou I Belong To You + Mon Coeur S’Ouvre a Ta Voix (se pensarmos bem, esta segunda até é um bocado óbvia, já que a parte do Mon Coeur S’Ouvre a Ta Voix é uma “cover”, digamos assim, da ária do mesmo nome da ópera Samson et Dalila, de Saint-Saëns – só que com uma pronúncia francesa assim um bocado para o… abstrata… desculpa, Matt). Outros exemplos serão The Long And Winding Road dos The Beatles, por exemplo, ou talvez mais obviamente I Can’t Help Falling In Love With You, do Elvis Presley. Em suma, incorporar vários estilos de condução melódica é, também, um pouco incidir no ponto da fusão de estilos de que falámos anteriormente, e acho que este contraste também trouxe à música um sentido de globalidade – um bom detalhe que contribuiu para a diversidade do álbum e demonstra um novo sentido de versatilidade no trabalho de Garrett Sparrow.

E, para terminar, gostaria de deixar uma nota sobre a relação e coesão do álbum como um todo – o álbum termina no mesmo tom com que começou, mas ainda mais aberto, o que eu, já de si, acho maravilhoso. Mas o que me cativa neste aspeto é que DEW, a faixa inicial, é como o levantar da madrugada, e LAWN, a última faixa, parece representar o estar no telhado a olhar para as estrelas a surgir no céu, ao anoitecer – isto como uma sensação puramente do ponto de vista musical. É uma viagem muito especial que experienciamos durante o álbum todo, como se acompanhássemos o seu autor durante um dia na sua pele, em que ele nos mostra tudo o que fazia e sentia na sua vida, encapsulando a sua essência e vivências num álbum que se manifesta como um círculo completo. O disco é, também, algo como um desabrochar, no sentido em que começa muito singular, e depois assimila tantos géneros diferentes, sempre com a dimensão eletrónica explorada ao máximo, que nunca cria estranheza ou complexidade desnecessária, mas sim uma unicidade fina e, ao mesmo tempo, irreplicável. É uma viagem variada e surpreendentemente leve, que promete deixar uma impressão pioneira em qualquer horizonte musical.

Garrett Sparrow. © Chris Steelframe – The Luna Collective.

Em suma, um álbum de grande riqueza e criatividade de um artista que com certeza ainda terá muito para dar! Esperemos por uma evolução do artista que nos ofereça cada vez mais variedade e autenticidade, e, claro, o amadurecimento de um nome que parece promissor 🙂

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